Tudo é um Remix



No começo de janeiro me deparei com um post no Update or Die de título “Ainda existe originalidade?”, o texto trouxe o vídeo da abertura do filme francês Delicatessen e a do seriado Dexter.

Abertura do filme Delicatessen

Abertura do seriado Dexter

As duas aberturas são semelhantes em sua temática de usar a cozinha como alusão a assassinatos. Podemos então dizer que abertura de Dexter perdeu sua credibilidade por não ser original?

Segundo o dicionário Michaelis originalidade é:

“Que não foi dito ou feito à imitação de outrem. Que tem caráter próprio; que não copia nem imita.”

O homem já existe a mais de 40 mil anos, estamos sempre sendo influenciados pelo que vivemos e conhecemos. Como podemos afirmar uma criação como original? De fonte única?

Jim Jarmush foi preciso em afirmar que nada é original somos sempre minados por nossas influências e elas inflam nossa imaginação. A ponto de devermos buscar a autenticidade ao invés da originalidade.

Everthing is Remix

O documentário “Everthing is Remix” produzido por Kirb Ferguson explica de forma magistral toda essa constante re-criação, o remix das coisas. É importante lembrar que em nenhum momento ele atribui um sentido pejorativo ao remix. A idéia é eliminar o pedestal de que teremos uma criação divina e única.

Aviso:“Everthing is Remix” ainda está em produção, já foi disponibilizado a parte um e dois, a terceira está prevista para este semestre.

Parte I

Parte II

Conclusão

O famoso jargão “O segredo da criatividade é saber como esconder as fontes”, concebe a ideia que devemos sempre apresentar algo único, se pensarmos que a palavra original é de origem ocidental, conseguimos entender esta busca incessante por este unico, típico do pensamentos antrocentrista da nossa sociedade criativa.

Qual o problema da nossa obra mostrar suas influências? O poeta Alan Ginsberg estava sempre referenciando em seus textos autores que formavam seu pensamento, imitando suas formas de escrever a ponto de criar um diálogo com o próprio.

Na influência e na reconstrução está o verdadeiro mérito da criação. Quentin Tarantino nos mostra esta capacidade imensa em sua produção Kill Bill, todo o repertório de filmes que o influenciou é recriado em várias cenas. Em um bônus do Kirby Ferguson temos uma versão especial com a análise completa do filme do Tarantino, vale mais uma vez assistir:

Sei que tenho músicos que freqüentam o blog, gostaria de saber a opinião de vocês sobre a primeira parte do documentário “Everthing is Remix”.
Aos apreciadores do cinema, sua opinião sobre a segunda parte? E claro sobre o Tarantino.

E você designer até onde devemos temer nossas influências? Qual o limite entre a cópia e a referência?


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