Retrospetiva 2010



Gostaria de escrever essa retrospectiva de um jeito mais poético, mas citando meu amigo Daniel Perez:

“Eu sou um poeta, eu juro, apenas não sei escrever meus pensamentos ainda!”
[Link]

Vou me contentar aos meus erros de concordância e a objetividade que possuo.

O meu ano pode ser resumido em três palavras: Projeto, Coletividade e Conflito. Projeto, pois foi o ano que abracei o mundo e me envolvi em tudo. Coletividade pois, ao contrário de 2009, eu trabalhei muito em conjunto e sempre em prol dos outros. E conflito não só com pessoas, mas conflito com minhas próprias idéias.

2010 foi um ano de novas perspectivas. Como twettei no dia 19 de junho:

“Hoje estou convivendo com outras ideias, outras perspectivas e outras pessoas.” [Link]

Foi um ano que vivi ideias e discussões, as conversas informais acompanhadas de uma boa cerveja foram fundamentais, tive o prazer de conversar pessoalmente com o @abduzeedo em sua passagem por Curitiba, perceber vários gostos em comuns e avaliar como pessoas que admiramos hoje são tão acessíveis para um bom bate papo. O mesmo se repetiu no evento do Dia mundial da Usabilidade que tive o prazer de apresentar meus projetos para o @goncaloferrax e @fredvanamstel em plena Faber Ludens, um lugar inspirador diga-se de passagem.

Sem contar a palestra maravilhosa que assisti do @radfahrer no Fórum de Mídias Sociais, que até hoje ressoa em minha cabeça – Não tem Playstation no paraíso:

O parágrafo acima foi a parte transcendental, mas nem tudo é bom. Neste mesmo ano tive de apreender a lidar com o descaso, a comodidade a e a falta de palavra/compromisso de pessoas próximas ou de companheiros de projetos:

“Cansei das reuniões, cansei do blablabla, cansei dos horários não cumpridos, cansei do descaso.”
6 de Julho [Link]

Decepcionei-me com a universidade e com suas burocracias. Sem tirar o mérito da academia, cito as palavras do caríssimo Luiz Lepchak em seu blog La Pomarola: “Depois de certo ponto eu aprendo mais fora da faculdade do que dentro dela”.

Mas o que mais me irritou foi oferecer aos meu colegas de universidade um mundo novo, e eles quererem ficar dentro da caixa da sala de aula:

chamadadoheroi

Ok, desabafos e comentários feitos, vamos expor aqui os projetos que participei. Por pior que sejam, estou orgulhoso deles:

CADUT – Centro Acadêmico de Design da UTFPR

Desde que entrei na universidade fiz várias reclamações, desde ensino até ao próprio CA(Centro Acadêmico). E nessa de reclamar e não fazer, decidi junto com meu amigo Claudio Rotunno, que mais tarde desistiria do CA, a montarmos uma chapa para concorrer e fazer a diferença.

Mantive uma relação direta com a universidade e os alunos de design, infelizmente apreendi que:
– A democracia funciona. Em partes.
– Não é preciso ser justo, mas deve parecer justo

Pode soar estranho, mas relutei a admitir que sem autoridade você não vai para frente.

Queria ter feito mais pelo CADUT, mas em um ano de gestão você passa mais tempo errando do que acertando. Conseguimos realizar boas ações: como a semana de recepção dos Calouros, onde tentamos pôr a mentalidade de universidade em suas cabeças. O Trote solidário, onde fomos pintar e organizar o espaço de uma creche, trouxemos algumas palestras, que foram filmadas e estão no canal do Vimeo do CA, realizamos algumas discussões chamadas de Café com Design, tivemos participação no CONE – Conselho Nacional dos Estudantes de Design, reivindicamos direitos perante nosso departamento. Mas meu maior objetivo sempre foi inserir a ideia de: “Para de reclamar, Porra”

Algures

algures

Participei da organização do Algures 5 – Semana acadêmica de Design da UTFPR. Foi nesta equipe que analisando os erros e os acertos dos outros que entendi os modelos de gestão: cronograma, finanças, patrocínio, estrutura…

A ideia era apenas me responsabilizar pelo website do evento, mas eu ficava de olho em tudo, tinha outro projeto em mente.

O evento foi interessante, não teve o coro que era esperado, mas foi recheado de conteúdo. Tive a oportunidade de ministrar uma conferência inspirada no meu artigo: “Designers não são Web Designer”.

E ser influenciado por duas palestras geniais, a primeira sobre “Contrarevolução e cultura de massa” do Mário Messagi Jr. e a segunda sobre “Julgamento e Design de interação” do excelentissimo @goncaloferrax

Revista Clichê

190406329

Tenho que admitir que este projeto foi o meu xodó. A idéia foi criar uma revista impressa dentro da UTFPR, para posicionar o design da universidade no cenário curitibano, melhorar a comunicação dos alunos internamente e, claro, preencher o valor histórico que uma revista tem para um curso de design. A idéia nasceu em um botequim com design, outro projeto que iniciamos neste ano, junto com os meus amigos Thiago dos Anjos e Hugo Pizaia, também coordenadores da revista ao meu lado.

Lançamos cartazes com a ideia e reunimos mais 15 pessoas na universidade que dividimos em três células, Gestão, Conteúdo e Criação cada qual com seu coordenador. Tivemos 2 meses para criar, escrever, diagramar e imprimir uma revista. Apreendi a fazer e cumprir um cronograma, negociar patrocínios, tomar decisões e resolver emergências.
Foram noites sem dormir junto com o Thiago e o Hugo. O projeto deu certo e pretende crescer na próxima edição. Vou encerrar por aqui deixando o link do projeto, pois se for pra falar irei me estender demasiadamente.

Outros projetos

Quanto mais você faz mais ideias você tem e nesse ritmo no meio da correria disto ou daquilo, dei vida a uma brincadeira chamada indagações compartilhadas. Em um mundo onde recebemos muita informação e produzimos muito pouca. A ideia foi usar a ferramenta Tidypub para escrever sobre indagação que você tenha, sem preconceitos, sentar na frente do computar e ir escrevendo. E usar o twitter para postar o link com a hashtag #indagacoescompartilhadas. Feito isso, se alguém tiver algo a acrescentar no seu tema, irá produzir um conteúdo em cima do seu iniciando assim uma cadeia, escreve quem quer, a hora que quer, sem pressão e sem compromisso.

Alguns textos:

  1. Questionando a relevância
  2. Sejamos sinceros
  3. Notas sem valor para a sinceridade
  4. Moral da história…
  5. Indagando a moralidade (sem moral)

Fui responsável por uma oficina no Ndesign – Encontro nacional dos estudantes de Design, sobre wordpress e a proposta era ensinar a criar um portfolio online utilizando esta ferramenta. Enquanto produzia o material para a oficina acabei criando meu portfolio que há muito tempo já estava devendo.

zehfer

Acabei usando meu twitter como uma forma de expelir pensamentos. Relendo meus tweets para criar esta retrospectiva ficou muito claro minha mudança de pensamento. Uma forma interessante como disse @luizlepchak de diário virtual.

Concluindo

Seria maravilhoso se durante o ano eu pudesse me dedicar apenas a estes projetos, mas como todos sabem, nunca é assim. Além deles eu tinha trabalhos da faculdade para fazer, que com uma ajudinha aqui e ali passei em todas as matérias, meu trabalho regular na Agencia IMAM, freelas para terminar e compromissos diários normais. Não foi fácil, mas foi possível, apreendi e conheci pessoas maravilhosas.

Concluo essa retrospectiva olhando para trás e vendo um ano em que vivi a Universidade de forma integral. É um pensamento mesquinho imaginar uma universidade apenas na sala de aula. Cito meu amigo @cassioduo que me disse uma vez:

“Universidade é local de experimentar, errar e acertar”.

Meu conselho para você universitário que lê o blog, ou você que nem entrou na faculdade: Viva a universidade fora da sala de aula. Universidade é um ambiente que se estende do buteco até os projetos voluntários. Você profissional que já saiu da universidade aproveita os comentários e diz para essa rapaziada que estou certo.

Quero agradecer a todos que estiveram envolvidos comigo nestes projetos, as pessoas maravilhosas com quem dialoguei, briguei, confrontei e me fizeram olhar novas perspectivas.

Feliz Natal a todos e desejo um 2011 cheio de ideias. A minha parede já está lotada de post-it com elas e a sua?


Gostou deste post?